Das verdades

Conversando com um velhinho durante o trajeto do VLT que vai da Praça Mauá até a Cinelândia, ele me perguntou: Você gosta de literatura?
Gosto tanto que escrevo (pra dentro) disse eu.
Egoísta! sentenciou ele.
Covarde! sentenciei-me

Das pausas

Trocávamos mensagens enquanto o barbeiro passava a máquina três na minha cabeça.
Meus cabelos caiam sobre o texto como se fossem vírgulas,
se instalando confortavelmente entre as palavras
e foi assim que acabei separando o sujeito do seu predicado.

Do usucapião

Ele havia tomado posse de algumas frases de forma mansa, até mesmo pacífica, eu diria. Algumas já estavam sobre seu domínio há tantos anos que lhe vestiam como uma luva. Os proprietários, talvez por ignorarem, nunca as reclamaram. E foi assim que ele se tornou uma referencia de pensamentos brilhantes e lhe diziam gênio. E sim, ele era.

Da Telestesia

– Hoje escrevi um email [mentalmente] pra você. Você leu?
– Li e respondi [mentalmente]. Você não leu?
– Não. Fui [mentalmente] checar e estava na caixa de spam.